quinta-feira, 21 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO DO EFEITO DO TRATAMENTO TÓPICO COM EXTRATO HIDROALCOÓLICO DE FOLHAS DE Chenopodium ambrosioides SOBRE O EDEMA DE PATA HIPERAGUDO E AGUDO

Rodrigues, A. B. R.; Corrêa, G. T.; Ribeiro, B.P.; Fialho, E.M.S. 1,3; Nascimento, F.R.F.; Pereira, W.S. Laboratório de Imunofisiologia (LIF)1, Colégio Universitário (COLUN)2. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)3


O modelo experimental de edema de pata pode ser induzido por diferentes flogógenos. O mais tradicional é a carragenina que induz um edema agudo, mas o veneno de escorpião pode ser usado caracterizando um edema hiperagudo. O objetivo deste trabalho foi analisar o efeito do extrato bruto hidroalcoólico (EBH) das folhas de Chenopodium ambrosioides sobre o edema de pata hiperagudo e agudo. Foram utilizados camundongos C57Bl/6 fêmeas, com peso médio de 20g, 2 meses de idade, oriundas do Biotério Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís, MA, Brasil. Os animais receberam 50µL de carragenina a 1% ou veneno de escorpião no coxim plantar das patas traseiras esquerdas 1h após o tratamento por via tópico com 100µL do EBH na dose de 5mg/kg ou 50mg/kg do peso do animal. O tratamento foi realizado de 1 em 1hora após a indução do edema durante 6 horas. Os camundongos do grupo controle receberam 100µL de água apiogênica. As medidas foram feitas no sentido dorso - plantar da pata com um paquímetro digital, no tempo zero e após 5’, 15’, 30’, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 24 horas após a injeção do veneno de escorpião, e no tempo zero e após 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 24 horas após a injeção da carragenina. A diferença entre o tamanho das patas foi considerada como o edema formado.

Não foi verificada diferença significativa no tratamento com EBH de C. ambrosioides por via tópica tanto no edema induzido por veneno de escorpião quanto por carragenina.


O EBH das folhas de C. ambrosioides não possui efeito antiedematogênico frente a processos inflamatórios hiperagudo e agudo, quando administrado por via tópica.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Chenopodium ambrosioides L: Avaliação toxicológica e ação na resposta inflamatória

Chenopodium ambrosioides L. (mastruz) é uma erva originária da América Central e do Sul; sendo um dos vegetais mais utilizados pela população brasileira para o tratamento de doenças pulmonares; distúrbios intestinais; hemorróidas; infecções fúngicas; helmínticas; contusões e equimoses. Experimentalmente; já foi demonstrado que esta espécie tem ação imunoestimulatória; anti-helmíntica; cicatrizante; anti-tumoral e anti-leishimanial. Além disso; a fitoquímica das folhas revela a presença de substâncias como flavonóides e terpenos; que podem apresentar um efeito anti-inflamatório. Dessa forma avaliamos o efeito do tratamento oral com o extrato bruto hidroalcoólico (EBH) das folhas de C. ambrosioides sobre a resposta inflamatória e sua toxicidade. Foram utilizados camundongos Swiss (5 animais/grupo); que receberam 100µL de EBH na dose de 5mg/kg durante 6 dias para a determinação de vias (intraperitoneal; subcutânea ou oral) utilizando modelos clássicos de inflamação como edema de pata; formação de granuloma e peritonite. Para avaliação do tratamento oral sobre a resposta imunológica; os animais receberam 100µL de EBH nas doses de 5 e 50mg/kg; ou água apiogênica durante 17 dias utilizando o modelo de formação de granuloma. Para a análise toxicológica (análise comportamental; avaliação da massa corpórea; massa dos órgãos vitais; celularidade de órgãos linfóides e avaliação bioquímica do soro); os camundongos receberam 100µL de EBH nas doses de 5; 50 e 500mg/kg ou água apiogênica. No modelo de edema de pata houve efeito anti-edematogênico quando o EBH foi administrado pelas vias IP; SC e oral. No granuloma de 6 dias; apenas o tratamento pela via oral apresentou efeito anti-inflamatório; enquanto pela via IP apresentou efeito pró-inflamatório e pela via SC não houve efeito. No granuloma de 17 dias o EBH na dose de 5mg/kg apresentou efeito anti-inflamatório; porém; na dose de 50mg/kg não houve diferenças significativas. O EBH não apresentou alterações no influxo celular da peritonite induzida por LPS. Ocorreu inibição da liberação espontânea de peróxido de hidrogênio (H2O2) no grupo EBH50 no modelo de granuloma; mas não houve alterações na liberação de H2O2 no modelo de peritonite. O EBH via oral na dose de 5mg/kg inibiu a produção de IL-4; IFN-γ e IL-2; mas não alterou a produção de IL-10. Entretanto; na dose de 50mg/kg houve inibição de IL-4 e IFN-γ; e aumento de IL-10; porém não foram observadas diferenças para IL-2. O EBH na dose de 5mg/kg não apresentou sinais de toxicidade; enquanto a dose de 50mg/kg induziu sinais de toxicidade renal e a dose de 500mg/kg induziu alterações de comportamento e fisiológicas; e sinais de hepatotoxicidade. Nossos dados mostram que o EBH de C. ambrosioides quando consumido; por via oral; a uma dose de 5mg/kg não promove toxicidade; mas apresenta efeito anti-inflamatório; tanto para inflamação aguda como crônica; agindo possivelmente na produção de prostaglandinas. No entanto; se faz necessários estudos que elucidem hipóteses aqui propostas e isolamento da molécula ativa anti-inflamatória para que futuramente se tenha um fitoterápico à base de C. ambrosioides.